
Além do salário base, um trabalhador da construção civil tem normalmente direito a duas verbas distintas que muitas vezes se confundem: o subsídio de alimentação, pago por cada dia de trabalho efetivo, e as ajudas de custo, pagas apenas quando é deslocado para uma obra fora da sua área habitual. Este guia explica como cada uma funciona, quanto está isento de IRS e o que fazer se o seu empregador não as estiver a pagar.
O Que É o Subsídio de Alimentação
O subsídio de alimentação não é imposto de forma universal pelo Código do Trabalho — mas é praticamente garantido na construção civil através do Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) do sector, que obriga o empregador a pagá-lo por cada dia de trabalho efetivamente prestado. Não é devido em dias de férias, feriados, baixa médica ou faltas não justificadas, uma vez que o direito nasce da presença efetiva no local de trabalho.
Pode ser pago de duas formas: em dinheiro, diretamente no recibo de vencimento, ou em cartão/vale-refeição, cada vez mais comum por ter um limite de isenção fiscal mais elevado.
Limites de Isenção de IRS e Segurança Social
A parte do subsídio de alimentação que está isenta de IRS e de contribuições para a Segurança Social depende da forma de pagamento. Tudo o que ultrapassar estes limites é tributado como remuneração normal.
| Forma de Pagamento | Limite Isento (por dia) |
|---|---|
| Dinheiro (via recibo de vencimento) | 6,00 € |
| Cartão ou vale-refeição | 10,20 € |
Em 2026, estes são os valores de referência fixados pelo Orçamento do Estado. Como são atualizados periodicamente, confirme sempre o valor em vigor no site da Autoridade Tributária antes de reclamar uma diferença junto do empregador.
Subsídio de Alimentação no CCT da Construção Civil
O CCT da construção civil, negociado entre a FEPICOP e os sindicatos do sector (FEVICCOM, SETACCOP), fixa um valor mínimo de subsídio de alimentação superior ao mínimo isento em dinheiro — e revisto nas negociações salariais anuais, tal como as tabelas de salário base. Muitas empresas do sector optam por pagar via cartão precisamente para aproveitar o limite de isenção mais alto sem aumentar o custo total para a empresa.
Se não sabe qual o valor aplicável à sua empresa, verifique a tabela do CCT em vigor junto do sindicato ou consulte o recibo de vencimento: o subsídio de alimentação deve aparecer discriminado, separado do salário base e das diuturnidades.

Ajudas de Custo: Quando se Aplicam e Como Funcionam
As ajudas de custo são uma verba diferente do subsídio de alimentação. Aplicam-se quando o trabalhador é deslocado para uma obra fora da sua área habitual — situação comum na construção civil, onde os estaleiros mudam de localização com cada projeto. Destinam-se a compensar despesas acrescidas de alimentação, alojamento e deslocação que o trabalhador não teria se trabalhasse perto de casa.
A isenção de IRS das ajudas de custo está limitada aos valores de referência aplicáveis à função pública, fixados por portaria e divididos entre despesas de alimentação, alojamento e transporte. O valor exato é atualizado periodicamente — consulte o IEFP ou o sindicato do sector para confirmar o montante em vigor. Qualquer quantia paga acima desse limite de referência é considerada remuneração e tributada normalmente.
Subsídio de Alimentação vs. Ajudas de Custo: Principais Diferenças
| Subsídio de Alimentação | Ajudas de Custo | |
|---|---|---|
| Quando é devido | Todos os dias de trabalho efetivo | Apenas em deslocação para obra fora da área habitual |
| O que cobre | Refeição diária | Alimentação, alojamento e transporte acrescidos |
| Base do limite de isenção | Valor fixo no Orçamento do Estado | Tabela de referência da função pública |
Para uma visão mais alargada sobre contratos, férias e outros direitos garantidos pelo CCT, consulte o nosso artigo sobre direitos dos trabalhadores na construção civil.
Perguntas Frequentes
O subsídio de alimentação é obrigatório na construção civil?
Não é imposto diretamente pelo Código do Trabalho, mas é praticamente garantido pelo CCT do sector, que obriga o pagamento por cada dia de trabalho efetivo. Verifique o seu recibo de vencimento — deve aparecer discriminado.
Recebo subsídio de alimentação em dias de férias ou baixa médica?
Não. O subsídio de alimentação destina-se a compensar a refeição em dias de trabalho efetivo, pelo que não é devido em férias, feriados, baixa médica ou faltas não justificadas.
É melhor receber o subsídio em dinheiro ou em cartão?
Em cartão ou vale-refeição o limite de isenção de IRS é mais alto (10,20 €/dia contra 6,00 €/dia em dinheiro), pelo que o mesmo valor bruto resulta em mais dinheiro líquido no bolso do trabalhador.
As ajudas de custo são pagas em todas as obras?
Não. São devidas apenas quando o trabalhador é deslocado para uma obra fora da sua área habitual de trabalho, para compensar despesas acrescidas de alimentação, alojamento e transporte.
O que fazer se o empregador não pagar o subsídio de alimentação?
Reclame primeiro junto do empregador ou dos recursos humanos, com o CCT aplicável como referência. Se a situação não for resolvida, apresente queixa à ACT — Autoridade para as Condições do Trabalho (act.gov.pt), ou contacte o sindicato do sector.
Informação baseada no Código do IRS (artigo 2.º, isenção de subsídios de alimentação e ajudas de custo), no Orçamento do Estado em vigor e no CCT da construção civil negociado entre a FEPICOP e os sindicatos do sector. Os valores de isenção são atualizados periodicamente — confirme sempre o montante em vigor no site da Autoridade Tributária ou da ACT antes de reclamar diferenças salariais.